Monday, March 22, 2010

A corrida e o Tempo


Vivemos numa corrida contra o tempo
Um corrida CONTRA o tempo
Para vencer o tempo?
Para alcançar o tempo?
Para conseguir estar a frente do tempo?
Mas quem disse que o tempo corre?
Para nós o tempo não é honesto
Nos passa rapidamente
Nos angustia com sua lentidão
Nunca é demais
Nunca é o bastante
É sempre o carrasco
É sempre o culpado
Mas é tão necessário
Não quero correr
Não quero disputar
Com algo do qual não se pode ganhar
Quero apenas que o tempo me seja leve
Nos momentos que me são caros
Nos momentos que me são raros
Quero apenas que ele deixe ecoar
sorrisos e palavras
que me entram alma adentro
que se tornam alegria e alimento
Que me fazem esquecer de todo resto
Até mesmo do próprio tempo
Porem Ele não espera
É preciso correr novamente
Para que quando finalmente for de sua vontade
Esse mesmo tempo me seja leve
Nos momentos que me são caros
Nos momentos que me são raros

Saturday, March 06, 2010

Uma mulher não pode vacilar

Estamos chegando a famosa data que celebra o dia das mulheres, data que passou a ser comemorada após incêndio de uma fabrica nos Estados Unidos onde mulheres trabalhavam ou melhor eram exploradas, e terminaram por ser massacradas. Mas será que antes disso não houveram outros massacres contra a mulher? Quantas injustiças foram necessárias antes para que o dia 8 de março se tornarsse o dia da mulher? Injustiças de corpo e injustiças de alma. Não estou me pondo na posição de feminista arraigada, ou vitimizando a figura feminina. O que me faz escrever sobre a mulher , é ser uma delas, é ver e constatar todo o dia a posição na mulher na minha sociedade e no mundo. Na minha concepção a mulher é força, coragem, base e apoio. Ela é também insegurança, sonhos, desejos, romantismo. A mulher é pra mim a base da sociedade. Eu vejo isso nas cidades, no trabalho, na casa. A mulher que trabalha ,1 2, 3 horários que chega em casa para ainda dar carinho, conselhos, apoio. A mulher que no Alto da Sé em Olinda, vende a tapioca, abre o coco, todo dia mesma coisa. A mulher do sertão que tem 1, 2, 3, 4, 5 filhos ou mais, que vive uma vida sem estudo e sem oportunidade. A mulher vítima de violencia fisica. Vítima da violencia da incompreensão.Que tem a auto-estima destruída pelo "companheiro".Que tem que ser linda e agradável, não podendo cometer o grave pecado da falta de formosura. Vivemos o dilema da sociedade moderna, ser a mulher que trabalha , inteligente, forte decidida e que tem que casar , ter filhos, ser reta e honesta. Como diria a famosa musica cantada, dentre tantos outros, por Gal Costa "Uma mulher não pode vacilar". Ser mulher não foi e nunca será facil ,ficamos entre a figura a ser protegida e a que proteje. Nos dias atuais temos que forjar o nosso prórpio dote. Lutamos pela igualdade, mas quando esta é posta em pratica vem a reprovação, afinal certos comportamentos não ficam bem para uma mulher. Nos homens tudo bem, tudo pode , tudo se explica. Também não podemos ter nossas quimeras , as nossas divagações romanticas, somos castradas nas nossas manifestações de afeto. Temos que mostrar, temos que forjar, temos que provar, temos uma imagem a zelar. Uma mulher não pode vacilar....Mas vacilamos, choramos, erramos, sonhamos, somos romanticas, somos fracas , somos fortes, somos alegres e somos tristes. E continuamos a ser julgadas, classificadas, qualificadas, descartadas, excluídas, ignoradas. Afinal uma mulher não pode vacilar.


O vídeo que segue abaixo se chama Vida Maria, curta bastante conhecido e muito bem feito. Dentre os vários temas que dele podem ser extraídos, a da figura da mulher, sem oportunidades sem estudo, sem opções é um dos mais latentes. Eu como brasileira, nordestina, como profissional e como mulher compartilho da sensibilidade do filme, que cala fundo, nos emociona e nos faz refletir.