Estamos chegando a famosa data que celebra o dia das mulheres, data que passou a ser comemorada após incêndio de uma fabrica nos Estados Unidos onde mulheres trabalhavam ou melhor eram exploradas, e terminaram por ser massacradas. Mas será que antes disso não houveram outros massacres contra a mulher? Quantas injustiças foram necessárias antes para que o dia 8 de março se tornarsse o dia da mulher? Injustiças de corpo e injustiças de alma. Não estou me pondo na posição de feminista arraigada, ou vitimizando a figura feminina. O que me faz escrever sobre a mulher , é ser uma delas, é ver e constatar todo o dia a posição na mulher na minha sociedade e no mundo. Na minha concepção a mulher é força, coragem, base e apoio. Ela é também insegurança, sonhos, desejos, romantismo. A mulher é pra mim a base da sociedade. Eu vejo isso nas cidades, no trabalho, na casa. A mulher que trabalha ,1 2, 3 horários que chega em casa para ainda dar carinho, conselhos, apoio. A mulher que no Alto da Sé em Olinda, vende a tapioca, abre o coco, todo dia mesma coisa. A mulher do sertão que tem 1, 2, 3, 4, 5 filhos ou mais, que vive uma vida sem estudo e sem oportunidade. A mulher vítima de violencia fisica. Vítima da violencia da incompreensão.Que tem a auto-estima destruída pelo "companheiro".Que tem que ser linda e agradável, não podendo cometer o grave pecado da falta de formosura. Vivemos o dilema da sociedade moderna, ser a mulher que trabalha , inteligente, forte decidida e que tem que casar , ter filhos, ser reta e honesta. Como diria a famosa musica cantada, dentre tantos outros, por Gal Costa "Uma mulher não pode vacilar". Ser mulher não foi e nunca será facil ,ficamos entre a figura a ser protegida e a que proteje. Nos dias atuais temos que forjar o nosso prórpio dote. Lutamos pela igualdade, mas quando esta é posta em pratica vem a reprovação, afinal certos comportamentos não ficam bem para uma mulher. Nos homens tudo bem, tudo pode , tudo se explica. Também não podemos ter nossas quimeras , as nossas divagações romanticas, somos castradas nas nossas manifestações de afeto. Temos que mostrar, temos que forjar, temos que provar, temos uma imagem a zelar. Uma mulher não pode vacilar....Mas vacilamos, choramos, erramos, sonhamos, somos romanticas, somos fracas , somos fortes, somos alegres e somos tristes. E continuamos a ser julgadas, classificadas, qualificadas, descartadas, excluídas, ignoradas. Afinal uma mulher não pode vacilar.
O vídeo que segue abaixo se chama Vida Maria, curta bastante conhecido e muito bem feito. Dentre os vários temas que dele podem ser extraídos, a da figura da mulher, sem oportunidades sem estudo, sem opções é um dos mais latentes. Eu como brasileira, nordestina, como profissional e como mulher compartilho da sensibilidade do filme, que cala fundo, nos emociona e nos faz refletir.
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